No
crepúsculo de meu ministério paroquial nesta querida Paróquia Santuário São
Roque ouso, mui respeitosamente, dirigir algumas palavras de agradecimento a
todos que nestes 6 anos, 3 meses e 11 dias em que estive servindo à Paróquia
como Pároco e Reitor, pude sentir de perto a fidelidade de Deus em tantos
momentos, bem como a reciprocidade dos paroquianos e amigos do mosteiro que
comigo ajudaram nesta obra do Senhor.
Sou e fui
servo inútil. Outros vieram antes de mim e outros virão depois. Tentei fazer
o que pude. Não fosse o carinho e participação da Comunidade eu nada poderia
ter feito; se fizemos algo de bom foi por pura Providência de Deus. A Ele
seja o nosso louvor; já as minhas muitas falhas, das quais terei que prestar
contar ao Supremo Pastor, são por minha inteira culpa, e pelas quais peço
perdão.
Permitam-me
ainda uma vez de chamar a vocês de paroquianos e pedir simplesmente isso:
que sejam fiéis a Jesus Cristo independentemente de quem estiver à frente da
Paróquia e da Abadia; sejam fiéis e amem a Igreja de Deus e seu novo pastor,
de quem hoje eu por primeiro, beijo as mãos.
Obedeçam ao
novo pároco com todo amor e ajudem-no nesta nova etapa da vida dele e da
Paróquia. Ajudem-no a ser padre sem perder o ritmo da vida monástica, fonte
da qual pude beber abundantemente.
No Mosteiro
sempre ajudei na formação, nunca tinha pensado em ser pároco. Aliás, sempre
achei que um mosteiro ter uma paróquia seria contra a espiritualidade
monástica cisterciense.
Passando
este tempo neste serviço, confesso que mudei de idéia e até me surpreendi ao
ver que com a graça de Deus pudemos desempenhar esta função com
tranqüilidade.
Todos somos
discípulos e missionários. É no contexto da V Assembléia do CELAM, que tem
como tema "Discípulos e Missionários" que me convenci que já escutei muito e
é chegada a hora de ser deixar tudo, ser missionário em outras terras onde
está o mesmo e único Senhor. Recebi muito do mosteiro e da paróquia. Tenho o
dever de retribuir aos que necessitam até mesmo do primeiro anúncio.
É bom para vós que eu vá; se eu
não for o Espírito Santo não virá.
È necessário
que eu vá, foi necessário um só morresse em favor de todos para que todos
tivessem a vida; foi necessário que Jesus entregasse sua vida, para que o
Espírito viesse sobre todos.
Só Deus sabe
quão difícil está sendo obedecer esta ordem, vista até em certo momento como
imposição, ao ser mandado para o Chile. Mas tudo tenho colocado nas mãos de
Deus. Poderia ter dito não desde o início, como muitos fizeram, ou mesmo ir
e depois voltar logo, mas estaria traindo a minha vocação de ser fiel onde a
obediência me pedia para ir. Minha ida é um ato de fé. Não fosse isso não
obedeceria. Mas o que obedece a uma ordem de um superior nunca erra, desde
que esta seja realmente a vontade de Deus e não motivada por nenhuma outra
razão.
Se eu não
desse este passo, aceitando, como que cara poderia pedir para vocês para
obedecerem à vontade de Deus? Com que autoridade moral poderia cobrar algo?
No dia 6,
durante a Solene Vigília de Pentecostes será meu envio. Em alguns momentos
pensei que seria o meu desterro. Hoje vejo tudo diferente. Fui mandado para
o Chile por tempo indeterminado para ajudar na formação, para ser
simplesmente um membro daquela comunidade que foi iniciada no Ano do Grande
Jubileu 2000.
É bom para vós que eu vá; se eu
não for o Espírito Santo não virá.
Assim como
quiseram que eu fosse, levo no coração a todos. Sei que a minha ida pode ser
indiferente para muitos, pode até entristecer a alguns; sei que também está
alegrando aos que me esperam no Chile e a alguns que ficam e se sentiam
incomodados com minha presença e modo de ser e fazer as coisas. O tempo
mostrará
Peço que
rezem pelos nossos padres e monges, pela santa perseverança no que
prometeram um dia na sua profissão e ordenação; mesmo como pároco procurei
estar o máximo presente em tudo no mosteiro, e sentia muito quando por
motivos pastorais tinha que faltar de algum ato comum: orações, reuniões e
refeições.
Peço que
rezem pelos nossos legítimos superiores, para que realmente tenham lucidez
no seu discernimento.
Ajudem o Pe.
Raphael e ser um pároco conforme o coração de Deus. Todos ficamos contentes
que ele tenha sido o indicado para ser o 5 pároco e 2 reitor do São Roque.
Não que os outros não tivessem condições ou não fossem de meu agrado. O
pouco tempo de ordenação do Pe. Raphael e seu bom trabalho especialmente no
Loreto já foi suficiente para ser nomeado.
Ao Pe.
Raphael deixarei o legado para continuar esta obra. Algumas coisas pude
fazer com a comunidade. Outras não deu tempo ou não tinha dinheiro e outras,
lamento que não me deixaram fazer, como a reforma da Matriz, o que seria a
obra mais importante. Mas é sempre assim, a mãe que dá a vida pelos filhos e
se esquece de si mesma.
Nunca tive
problema com falta de dinheiro. A fidelidade à prestação de contas na
Paróquia, na Diocese é que garantiu as obras. Sei, porém, que mais
importante que fazer prédios é construir as pessoas.
O Mosteiro
de Santa Maria de Chada é local próprio para se viver a vida monástica. Não
é Paróquia, a comunidade é pequena, mas de enorme acolhida; o clima é frio
mas, como eles me disseram, o calor humano é grande; o povo, os irmãos o
superior são outros mas o Senhor é o mesmo.
Este tempo,
que pode ser breve, será para discernir sobre a fundação. A casa usada até
agora não tem mais condições para ser um mosteiro; temos possibilidade de
adquirir um terreno para com o tempo iniciar uma construção de um prédio
próprio para o mosteiro. Mas Deus proverá.
Pode até ser
que tenhamos que fechar a casa e voltarmos todos para São José. Só Deus é
quem sabe e nós teremos que sondar os mistérios de Deus. Afinal, não foi à
toa que Ele levou os monges lá no ano 2000 e os tem acompanhado com tanto
carinho, mesmo em meio às provações, como também as temos aqui.
É bom para vós que eu vá; se eu
não for o Espírito Santo não virá.
Chada tem tremores de terra
todos os dias, mas será sinal do Deus que passa mostrando que tudo passa,
que só Ele é eterno. Os monges de Chada me escreveram dizendo que era para
deixar tudo pelo Tudo, não por Chada mas por Cristo. E foi por isso que
emocionado dei meu sim a Cristo.
É bom para vós que eu vá; se eu
não for o Espírito Santo não virá.
Mas tenho
escutado de muitas pessoas que minha ida também poderá fazer bem para mim, e
estou me convencendo disso dia-a-dia. Mesmo que fique doente e morra por lá,
estarei contente em ter tentado fazer o que me mandaram fazer, crendo ser
vontade de Deus.
Ninguém é
insubstituível. Sei que minha ida poderá ser boa para a Paróquia e Mosteiro,
já que eu acumulava muitas funções. Assim, muitos outros desempenharão estes
serviços, o que em muito os enriquecerá.
Tenham a
certeza de que Deus reserva ainda muitas maravilhas a nossa inesquecível e
amada Paróquia Santuário São Roque, que sempre terei como minha Paróquia, à
sombra da qual nasci e renasci para Deus. Esperem e verão quão suave é o
Senhor. Se grandes são nossos sofrimentos agora muito maiores serão as
consolações. È só esperar as aparentes demoras de Deus. Deus reserva ainda
muitas alegrias para vocês nesta Paróquia e nesta Diocese, tenham certeza.
È chegada a
minha hora. Rasgaram e sortearam a túnica de Jesus e como Ele parto
tranqüilo por ter tentado cumprir com humildade minha missão na Paróquia
como Pároco nestes 6 anos, na Abadia como prior por mais de 10 anos e na
Diocese como Vigário Forâneo por 3 anos.
A todos que
estiveram comigo, por causa do Senhor Jesus, o meu agradecimento e rezem por
mim, pela Paróquia com seu novo pároco e pelos Mosteiros de São José do Rio
Pardo e de Chada/Chile.
Peço ainda
que não se preocupem com nada de blusas, presentes, roupas e lembranças. Uma
que não dá para levar muita coisa na viagem; outra, que no Chile preparam
tudo com muito carinho e também por que fiz questão de separar peças de
roupas, de cama e banho dos tempos de meus estudos de teologia, e que estão
ainda muito boas. Tudo o que de novo vier será repassado para os irmãos do
mosteiro.
Pensem nesta frase dita por
Jesus e verão que ela é verdadeira:
É bom para vós que eu vá; se eu
não for o Espírito Santo não virá.
Também com ele ouso dizer:
Até breve, venho logo. Estaremos unidos pela oração, trabalho e serviço à
Igreja.
Asta la
vista!
Do seu ex-pároco e sempre indigno servidor e irmão em Cristo
Pe. Paulo Celso Demartini O. Cist.
Para se
comunicar no Chile:
- Por telefone: 00 xx 56 22 59 4221
- Por e-mail:
padrepaulocelso@hotmail.com
(pessoal)
monasteriochada@hotmail.com
(Mosteiro)
- Por carta: Monasterio Santa Maria de Chada
Casilla99–BUIN
Región Metropolitana – CHILE