Ano 19  -  São José do Rio Pardo - agosto 2009 - nº 230

Luis Podda - Presente até na sua ausência

 

Estou falando em meu nome da nossa família, o César, a Minha Mãe, o Rê, a Marina, a Vó Cida, a Tia Isaura e as crianças.

É até irônico dizer que nesse momento de tanta dor nós só temos a agradecer. Primeiramente a Deus, que nos deu a honra de te-lo como Pai e de ter dado tempo de falar e retribuir em vida, tudo o que ele fez por nós durante a nossa criação, um homem que assumiu o seu papel de pai em todos os momentos, que fez parte das nossas lágrimas, das nossas frustrações, dos nossos sorrisos e das nossas conquistas, um pai que nunca foi de nos dar presentes e sim sempre nos encheu da sua presença diária, nos ensinou o verdadeiro significado das palavras respeito, honestidade, humildade e amor.

 

Graças a Deus hoje nós só temos coisas boas para lembrar, até durante as dificuldades e provações da nossa vida, nós podemos nos orgulhar dele, que sempre esteve a frente delas e conseguiu ultrapassar de cabeça erguida e lógico alicerçado em Deus, nesse Deus que também é pai.

Luiz Podda um cidadão de muita sorte, realmente um ser privilegiado por Deus. Filho único de uma família quieta, casou-se e iniciou sua vida a dois, uma união maravilhosa de 34 anos que começou a florescer quando passaram a ser quatro, eu e o César, quase juntos nos casamos e ele assumiu mais dois filhos, o Rê e a Marina, passamos a ser 6, dessas uniões Deus mandou mais frutos, a Letícia o Mateus e mais um bebê, quase 9, frutos estes pequenininhos ainda, mais que estão conseguindo nos levantar como se fossem gigantes, principalmente ao lembrarmos da paixão que ele tinha por essas crianças, foi um avô que se jogava no chão para brincar com eles, dava o bigode pra eles puxarem, enfim virava uma criança como eles quando estavam juntos, era um amor correspondido onde eles brigavam pelo colo do Vovô, e essa foi a última imagem que ele nos deixou, na 4ª feira foi aniversario do meu marido e ele passou a noite todo brincando com as crianças no chão da minha casa.

Obrigado Pai por ter sido pai até na hora da sua morte, ele não precisava ir pra Ribeirão, mas fez questão de ir por que já sabia que chegava a sua hora, e queria estar longe para nos poupar de vê-lo naquela situação, naquele sofrimento.

Obrigado Pai por ter carregado os sentimentos de honra, honestidade, verdade e sabedoria, isso te tornou um ser humano transparente e verdadeiro em tudo o que fez, seus exemplos são livros da verdade para nós e neles confiamos e sempre acreditamos, porque em você ainda a esta vida, em você está Deus.

Agradecer a minha mãe, essa mulher de fibra, que foi mãe, esposa, amiga, companheira, que zelou pela sua saúde a todo momento, que assumiu a mãe dele como mãe para não priva-lo de seus afazeres, que muitas vezes abriu mão de sua companhia pra que ele servisse a Igreja, ou ergueu as mangas e juntou-se a ele nos afazeres da paróquia. Um relacionamento que como qualquer outro com seus problemas, mas que nunca presenciamos sequer uma discussão entre os dois. Tenho certeza que é por isso que ela está com essa força, além de ter uma palavra e Deus no coração, ela fez por ele tudo o que ele precisava em vida.

Agradecer a Paróquia São Roque, que o acolheu no momento mais difícil da sua vida, onde muitos fecharam as portas e ela abriu, por isso que ele retribuía com tanta dedicação e doação, a ponto de dar a sua vida por ela.

Agradecer ao Padre Paulo, que diz ter uma divida eterna conosco, mas não se esqueça que temos uma maior com o ele, porque foi o Senhor quem estendeu a mão a ele quando estava no fundo do poço. Que ironia do destino, o Senhor como pároco o contratou, passaram tantos anos, tantos acontecimentos, tantos vai e volta, e tudo isso tinha que acontecer quando o Senhor estava como pároco novamente.

Agradecer a todas as comunidades neocatecumenais e principalmente a dele, porque foi junto dela que ele se alimentou da palavra, da eucaristia e da experiência dos irmãos, e com isso criou-se um laço familiar. Vocês estiveram presentes em todos os momentos tristes e felizes da nossa vida e principalmente se uniram a nós nesse momento de tanta dor.

De uma maneira geral agradecer a todos que o amava, agradecer por tudo que fizeram por ele ou pra ele. Muito obrigado ao pessoal da secretaria da paróquia, pessoal das capelas, pessoal do mosteiro, à aquelas pessoas que o ajudaram mais de perto em todos os serviços e eventos paroquiais, a todos os movimentos, aos padres e as pessoas das outras paróquias, a todos os nossos familiares, que esse momento sirva para nos unir ainda mais, aos nossos amigos, aos nossos companheiros de trabalho, enfim a todos que tiveram a benção de conhece-lo, que Deus os abençoe e retribua com muita saúde e paz por tudo o que fizeram e estão fazendo por todos nós.

Deus levou o meu pai, mas deixou plantado em nós a semente de Jesus Cristo, isso está nos fortalecendo e nos dando a certeza de que ele está contemplando as maravilhas do céu, que é para onde vão pessoas grandes que tem a coragem de viver como pequenas.....e ele teve.

Muito obrigado a todos.

Vanessa Podda Rodrigues

Atualizado em - 15/08/09

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