Especial

 

Orani, elevado a Bispo!
"Nossa Diocese dá a Rio Preto o que temos de melhor"
 
 
 
  "O vosso e meu bom pai, por vontade de Deus, foi elevado a um ofício superior..."
(Essa foi a frase usada por Dom Luigi Rottini, Abade Presidente dos Cistercienses, para dar aos congregados do mosteiro de São Bernardo uma alegre-triste notícia: Dom Abade Orani será Bispo)
As palavras são as mesmas pronunciadas por São Bernardo em situação semelhante: ele usou-as para consolar a aflição dos irmãos da Abadia de Aulps, cujo Abade foi igualmente eleito Bispo de Sião. Os bispos podem ser diferentes, mas a aflição dos irmãos é a mesma. Inclusive daquele que vai embora.
 

 
 
 

"Dentro de mim há uma dor muito grande, pois eu amo aquilo que faço", declarou Dom Orani, referindo-se principalmente à dor de deixar aqueles à quem considera "seus filhos": a comunidade riopardense, a comunidade do Mosteiro e outra ainda maior a comunidade diocesana.

O sentimento de dor e de perda é, inevitavelmente, recíproco, quer seja por parte dos irmãos do Mosteiro, dos paroquianos ou da comunidade diocesana: "Para a nossa Congregação, a promoção de Dom Orani a bispo é motivo de tanta honra e de grande glória, mas também de tristeza, porque somos privados de um precioso colaborador, de um pastor querido e amado pai", escreve Dom Luigi aos membros do Mosteiro.

"Nossa Diocese dá à Diocese de Rio Preto o que temos de melhor", declara o padre e coordenador do Sínodo Diocesano, Luiz Carlos Gonçalves, de Tapiratiba. "O povo de Rio Preto está ganhando um Pastor; o clero, um Pai; a estrutura de pastoral diocesana, um articulador da unidade em perfeita sintonia com a Província Eclesiástica, a CNBB e o Santo Padre", analisa.

"Nele, que nunca nos negou sua atenção e seu apoio, temos o amigo, o pároco e o pai. Por isso é com o coração partido que o entregamos à diocese de Rio Preto", desabafa a paroquiana e oblata Regina da Silva Merli.

Essa entrega, pelos olhos da Irmã M. Stella Mathias, do Instituto Beatíssima Virgem Maria, é "o sacrifício do nosso Isaac": "Orani João era para nós do Instituto o pároco, o profeta, o pai, o irmão e o amigo de todas as horas", conta.

Mas de onde vem essa força, e todo esse amor filial de que é objeto? De onde vem o carisma do homem Orani João Tempesta? A resposta está na história de uma vida de entrega. Entrega total a Deus.

Orani de Rio Pardo...

"Esse vai ser homem, e vai ser forte" O ano era 1950. Duas comadres - Dna. Elvira e Dna. Olímpia - conversavam a respeito de uma terceira comadre: era Dna. Maria, que se encontrava naqueles dias preocupada, acreditando estar na menopausa. Só que essa menopausa tinha nome: era Orani João Tempesta, o filho temporão do casal Acchiles e Maria de Oliveira Tempesta. Veio então mais tarde a confirmação: a comadre Maria estava mesmo grávida. Passaram-se então alguns meses, e novamente achavam-se as duas comadres - Dna. Elvira e Dna. Olímpia - a cochichar: "A comadre Maria diz que o nenê chuta com muita força", dizia a comadre Olímpia à comadre Elvira. "Esse vai ser homem", profetizava, "... e vai ser forte!".

O parecer não poderia ser mais certeiro: dali a alguns meses, nascia o pequeno Orani. Dali a alguns anos, a força deste homem mostrou ser suficiente para levá-lo ao episcopado brasileiro. A jovem que esteve tão perto de Dom Orani ainda inato, e que gravou com tanta atenção essa conversa de comadres nem sabia, na época, que também ela viria a fazer parte da história daquele "homem forte". É Clorinda Breda, que há 48 anos trabalha na Paróquia de São Roque, tendo acompanhado como ninguém a história de vida de Dom Orani. Ela acompanhou não só o nascimento de Dom Orani, mas também o da paróquia que ele viria a dirigir mais tarde. Assistiu e decorou a Igreja para seu diaconato em 73, e para sua ordenação presbiterial, em 74. E hoje assiste orgulhosa sua elevação a bispo: "Vejo isso como uma grande bênção de Deus, pois a nossa diocese e paróquia já eram pequenas para ele. Hoje faço a relação com a frase de Dna. Olímpia para minha mãe: era verdade, ele seria um homem forte!".

Orani, o menino

"Um garotinho de rosto redondo, grandes olhos, o melhor aluno da classe" Em São José do Rio Pardo Dom Orani passou sua infância. Estudou no Grupo Escolar Tarquínio Cobra Olyntho e no Instituto de Educação Euclides da Cunha. "Recebi uma classe de muitos meninos e poucas meninas. No meio deles, um garotinho de rostinho redondo, grandes olhos, logo chamou a atenção: gostava de estudar e era o melhor aluno da classe. O nome dele? Orani João Tempesta", conta sua ex-professora de primário, Dna. Lourdes Perri Garcia, completando, "... ele era um menino tranquilo e estudioso".

De fato tranquilo Orani devia ser, e muito. Justamente por isso Dna. Maria Rosa Alckimin de Carvalho surpreendeu-se tanto ao ouvir a notícia de que ele iria ser padre: "O Orani, padre?!", perguntou, "Mas como? Ele não fala!".

A Irmã Stella também se gaba de ter tido a felicidade de acompanhar o crescimento "em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens", do pequeno Orani, que ela conheceu quando este tinha apenas sete anos. Como era então Orani? Tímido, diz ela: "Quem diria que aquele menino, adolescente, jovem, então tão tímido, bem comportado e muito bem educado, que tantas vezes vi servindo o altar (como coroinha) também em nossa comunidade religiosa, exuberante e então até charmoso, num futuro não muito longínquo chegasse a galgar a plenitude do sacerdócio: Epíscopo!".

Orani do Mosteiro

"Sempre se distinguiu pelo seu amor à Congregação" Em janeiro de 1968, cinco dias antes da criação da paróquia de São Roque, o jovem Orani ingressava no Mosteiro de São Bernardo, e um ano mais tarde emitia seus votos simples, para viver na pobreza, na obediência e na castidade, numa opção pelo seguimento radical de Jesus Cristo através de uma vida de oração e serviço. "Sempre, desde pequeno, Orani pensava na vida consagrada, começando pela consagração monástica. Ele é verdadeiramente um homem de Deus", declara a irmã Ondina Tempesta.

Nessa época, distinguiu-se pela simplicidade e disponibilidade em servir, ou, como descreveu o abade presidente da Congregação: "Dom Orani sempre se distinguiu pelas suas preciosas qualidades humanas, intelectuais, espirituiais e pastorais, pelo seu amor à Congregação e pelo amor que sempre manifestou à sua consagração monástica".

Sua Profissão Solene aconteceu em 1972, numa celebração presidida pelo então Abade Presidente, Dom Giovanni Rosavini. Alguns anos mais tarde, em 1994, Dom Giovani retornaria ao Brasil para presidir o jubileu de prata - 25 anos de ordenação sacerdotal - de Dom Orani.

No Mosteiro de Nossa Senhora de São Bernardo ele exerceu o cargo de vice-prior durante 10 anos quando, em 1984, foi nomeado prior pelo Capítulo da Congregação em Roma, tendo permanecido até sua elevação à Abade, em 1996.

"Durante seu priorado a comunidade aumentou muito em número e em espiritualidade, fraternidade e perseverança", conta o Padre Paulo Celso Demartini, da ordem cisterciense.

Este fato, na opinião da Irmã Stella, deve-se principalmente ao exemplo de Dom Orani: "Tantos e muitos jovens foram acolhidos no Mosteiro, graças, provável e até certamente, ao testemunho de sua vida casta, doada, entregue ao serviço do Reino...". Dentre outras realizações no Mosteiro, vale lembrar que Dom Orani iniciou ainda a reforma e ampliação do prédio.

Orani da Paróquia - "Na sua humildade, acolhia com bondade seus paroquianos"

Feito o noviciado em Itaporanga, Orani foi para São Paulo onde cursou a Faculdade de Filosofia no Mosteiro São Bento. Ainda na capital, fez seus estudos de Teologia. Adquiriu a licença em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João Del Rei, MG.

Tem ainda o título de bacharel em Teologia pelo Pontifício Ateneu Salesiano, e certificado de vários outros cursos. Toda essa experiência precedeu sua ordenação presbiterial, em 1974, na Matriz de São Roque, pelo então bispo diocesano, Dom Tomás Vaquero. Na ocasião o "homem forte", declarava com sua sempre característica humildade: "É realmente um mistério essa escolha que Deus faz! Deus escolhe os fracos para servirem para a confusão dos fortes! E isso posso dizer com convicção".

"Me lembro que conheci Orani quando ele era padre com poucos anos de ordenação e eu participava de movimentos em minha paróquia natal; já nessa época, o zelo pastoral, o espírito missionário e sua disponibilidade em servir eram suas características mais marcantes", conta o amigo Pe. João Paulo F. Ielo, de Mogi-Guaçu.

Na paróquia ele foi vigário durante 10 anos, quando então, em dezembro de 1984 tornou-se o pároco. Na ocasião, Dna. Lourdinha Fontão -- que tanta influência e importância teve na vida de Orani e que, com seu marido, Heber, foi madrinha dele em sua ordenação presbiterial -- profetizou: "Hoje você completa 10 anos de santo sacerdócio muito bem vividos. Que uma nova contagem se opere em favor de toda a Igreja!".

Em São José Dom Orani foi ainda capelão do Hospital São Vicente e das casas religiosas da cidade, foi responsável pelas comunidades rurais e ajudou na construção de várias capelas da Paróquia, como a do Loreto.

 
 
Mas antes de tudo isso, o jovem Orani fez escola com um grande amigo e irmão de "profissão":  Padre Agostinho.

"Tive a alegria de conhecer Dom Orani desde quando ingressou na família Cisterciense, em 1968.

Tive a honra de preparar sua ordenação diaconal e presbiterial (inesquecível) na paróquia de São Roque.

 

 

Sempre preocupados com a evangelização do povo, fazíamos juntos programas radiofônicos ao vivo e caminhamos juntos com o mesmo povo na redescoberta maravilhosa da nossa fé cristã, evangelizando-nos a nós mesmos para melhor evangelizar os outros", conta o Padre Agostinho, completando, "Impossível descrever aqui a riqueza dos sinais de Deus que experimentamos em cerca de 11 anos de convivência no ministério pastoral. O povo de São José é testemunha disso". "O que D. Orani deixa ao Mosteiro, como superior -- prior e abade -- é uma herança espiritual tão grande, que será suficiente para abastecer seus monges por muitas gerações", profetiza Padre Agostinho.

Orani da Diocese - "Teve sempre marcante atuação na Diocese"

E a Matriz de São Roque tornava-se pequena, para tão grande empreendedor. Assim, o jovem Orani era chamado a dar sua contribuição energética à outra parcela da Igreja local: o resto da Diocese. E ele, que amou a Igreja sob todos os seus aspectos, podia agora contribuir também de forma mais ampla e completa. "Dom Orani teve marcante atuação na Diocese de São João da Boa Vista", declara Dom Dadeus Grings, o bispo diocesano. "Gozou sempre do máximo prestígio e carinho do clero e do povo da Diocese de São João. Basta dizer que ocupou simultaneamente cinco cargos de confiança de âmbito diocesano, mostrando-se, em todos eles, de extraordinária dedicação e eficiência", diz Dom Dadeus, que lhe confiou os cargos de Coordenador Diocesano de Pastoral, membro do Conselho de Presbíteros, do Colégio de Consultores, membro da Comissão Central do Sínodo Diocesano, e do Conselho da Fundação Pe. Donizetti. Dom Orani esteve, ainda, por diversas vezes à frente do Plano das Comunicações e da Coordenação dos Religiosos na Diocese.

"Dom Orani é uma pessoa de Deus. Sua espiritualidade é forte, dinâmica e seu espírito é eclesial. Sempre solícito e disponível. É amigo, irmão e pai", diz o Padre Lú, de Tapiratiba.

"Conheço D. Orani desde pequeno. Somos amigos de longa data. Desde o início, sempre rezamos um pela vocação do outro", conta a irmã Terezinha Maria, diretora da Escola de Educação Infantil Santa Maria.

Orani da Abadia - "É mais útil servir"

Foi pelo pedido do então prior do Mosteiro de São Bernardo, Dom Orani João Tempesta, que o mesmo foi elevado a Abadia em setembro de 1996. Foi um acontecimento histórico para a Congregação e para o Mosteiro de São José, pois a elevação reconhece oficialmente a maioridade desta comunidade monástica, dando um maior espaço à impostação da espiritualidade cisterciense.

"O nosso mosteiro, agora Abadia de São Bernardo, passa a ter um Abade (o pai) e conquista a sua maioridade. Rezemos para que todos esses sinais de Deus em nossas vidas jamais se apaguem e que saibamos contar aos que virão depois todos os acontecimentos dessa presença Divina em nossas vidas", declarou Dom Orani na época.

E como não poderia deixar de ser, o prior tornava-se o primeiro Abade cistercience nascido no Brasil, escolhido pelos congregados numa eleição abacial presidida pelo Abade Presidente Dom Luigi Rottini. Seu lema como Abade foi: "É mais útil servir".

Mas quis o bom Deus completar: "... servir em outra diocese!", contrariando, assim, os planos do jovem Orani: "Quando me tornei Abade, pensei em estar sempre aqui...". Foram dois meses de abaciado, uma ascensão tão rápida que surpreendeu a todos: "O acontecimento, se não encontrou-me despreparado, deixou-me estupefato pela sua rápida realização", escreveu Dom Luigi aos monges.

"Sua bênção abacial foi uma verdadeira apoteose.

Orani de Deus - "Que todos sejam um"

"O olhar de Deus pousou sobre Orani, e o escolheu para suceder aos apóstolos, testemunhas qualificadas do Ressucitado", ressalta Padre Agostinho.

"Dom Orani sempre foi exemplo de pessoa generosa e dedicada à vida sacerdotal e religiosa. Dotado de grande carisma e virtudes sem iguais, sempre se revelou merecedor da credibilidade dos fiéis e confiança da Igreja", declara seu amigo pessoal e Juiz de Direito em São José, Guilherme da Costa Manso Vasconcellos. Na opinião dele, a nomeação de Dom Orani indica "o reconhecimento da Igreja por seu trabalho incansável e por seu exemplo de vida", o que é "motivo de orgulho para todos nós".

"Monge cisterciense, sacerdote, abade e bispo. Por quê?", perguntou seu amigo, o bispo Dom Diógenes Silva Matthes, de Franca. Essa pergunta nos alerta para o fato de que, mais do que o reconhecimento pelo seu servir, Deus tem suas próprias razões na escolha de Dom Orani para o episcopado. Uma delas é, com certeza, o caráter conciliador deste seu filho tão amado, cujo lema de bispo será: "Que todos sejam um".

Foi nesta diocese que Orani passou de coroinha à padre, de padre à pároco, de pároco à prior, de prior à Abade, e de Abade à Bispo. E, enquanto cresciam suas responsabilididade, ele crescia também em espiritualidade. Por isso, talvez, ele atribua essa conquista de seu amadurecimento espiritual - que possibilita seu episcopado - à sua vivência religiosa nesta diocese: "Queria dizer a vocês que o meu curso para bispo foi aqui, na diocese de São João da Boa Vista", declarou na homenagem que lhe foi prestada na última Sessão Sinodal. Esse amadurecimento espiritual é, sem dúvida, uma das outras razões que o tornam escolhido de Deus.
  Dom Orani João: Primeiro presbítero da nossa paróquia, Primeiro prior do Mosteiro, Primeiro Abade da Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, Primeiro bispo cisterciense do Brasil e Primeiro filho de nossa São José do Rio Pardo elevado ao episcopado.
Orani do bispado - "Confio que o Senhor dará a mim o Seu Espírito"

Ao ser eleito bispo, Dom Orani parte para uma missão. Escolhido pelo Pai, e entregue por nós, povo da Diocese de São João da Boa Vista, para uma outra comunidade, um outro pastoreio. Sustentados na fé, e com a mesma obediência filial cujo exemplo nos legou Dom Orani, a diocese de São João da Boa Vista entrega à Rio Preto "o que temos de melhor": nosso pai, nosso amigo, nosso confessor, nosso líder, nosso pastor.

"Entregamos um irmão para uma missão grandiosa na Igreja", analisa Dom Edmilson Amadeu Caetano, o novo Abade do Mosteiro.

"A nomeação de um bispo é um acontecimento muito importante, pois é um Pastor que é dado a uma Igreja, numa sucessão apostólica", esclarece Dom Arnaldo Ribeiro, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto. "O Bispo é sucessor dos apóstolos," continua, "Agora é Dom Orani quem foi designado pelo Santo Padre para esta sucessão apostólica e que recebe a unção do Espírito Santo, que o faz Bispo e Pastor da Igreja, governando em nome do próprio Deus a porção da Igreja que é a Diocese de Rio Preto".

(Trechos do texto de Carolina Torres Frozoni para o Jornal São Roque em Notícias da Paróquia de São Roque, São José do Rio Pardo,SP.)
 
 

Pela primeira vez na sua história, São José do Rio Pardo cede um filho seu para um cargo elevado na hierarquia da Igreja

O Abade Dom Orani João Tempesta teve sua sagração episcopal na última sexta-feira, dia 25/04/96, em missa solene concelebrada no Ginásio Poliesportivo do Rio Pardo FC, com início às 19h30min.

A posse de Dom Orani como Bispo de São José do Rio Preto se realizou no dia 1º de maio, com missa solene às 16 horas, na Catedral Metropolitana.

Da escolha à aceitação

A nomeação de Dom Orani foi anunciada oficialmente no dia 26 de fevereiro, às 12 horas (horário de Roma, Itália), 8 horas em São José, através de uma transmissão radiofônica em português da Rádio Vaticano. Simultaneamente, fora enviado um ofício à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), confirmando a nomeação.

Para chegar a essa etapa, seguiram-se diversos passos conforme os ritos da Congregação dos Bispos: a escolha foi feita através de consultas aos bispos sobre diversos nomes, observados durante longo período. Minuciosa pesquisa também foi feita pela Nunciatura Apostólica. Posteriormente, na Santa Sé, a Congregação dos Bispos fez a escolha entre os indicados.

No caso de Dom Orani, houve necessidade de autorização de seus superiores, por ser ele membro da Ordem Cisterciense. A Ordem autorizou sua nomeação, exatamente na época em que ele assumia, como abade, a Abadia Nossa Senhora de São Bernardo. Em seguida, Dom Orani recebeu uma carta com os seguintes dizeres: "O Santo Padre nomeou-o bispo de São José do Rio Preto". Dias depois, Dom Orani aceitou, confirmando sua opção ao Núncio Apostólico no Brasil, Dom Alfio Rapisarda, que marcou o dia 26 de fevereiro para o anúncio oficial. "Não me julgo importante" - Logo após ter sido confirmado bispo, Dom Orani disse que dentro de si, havia uma dor muito grande. "Eu amo o que faço: a Paróquia, o Mosteiro, a cidade, a Diocese. Quando me tornei abade, pensei em estar sempre aqui. Quando saí de casa, tive dor de deixar meus pais. Deixar os filhos dói mais. Mas, o mais importante é descobrir o que Deus quer da gente e obedecer, a obediência de Abrão". Mais adiante, disse que não se julgava importante: "O que tenho feito na Paróquia e no Mosteiro é fruto da comunidade, trabalho de equipe e comunidade. Deus me escolheu". Decreto de Posse como bispo será lido na cerimônia No dia 25, próxima sexta-feira, durante as solenidades de ordenação de Dom Orani, será lido o:

Decreto nº 8911 da Nunciatura Apostólica do Brasil:

"DECRETO Aprouve a Sua Santidade, o Papa João Paulo II, nomear o Reverendíssimo Pe. Orani João Tempesta, o.cist., Bispo Diocesano de Rio Preto, Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo. Não tendo chegado, porém a Bula Pontifícia, Nós, Alfio Rapisarda, Arcebispo Titular de Canne e Núncio Apostólico no Brasil, no uso das faculdades que Nos foram outorgadas pela Santa Sé, damos licença para que o Reverendíssimo Pe. Orani João Tempesta, o.cist., possa válida e licitamente, receber a Ordenação Episcopal e tomar posse da sua Diocese. Pede-se, portanto, que no dia marcado, o presente Decreto seja lido publicamente, na presença do Clero e do Povo de Deus, segundo as normas do Código do Direito Canônico. Das atas da Ordenação Episcopal e da Tomada de Posse sejam redigidos quatro exemplares, dos quais dois sejam imediatamente enviados a esta Nunciatura Apostólica, o terceiro exemplar, juntamente com este Decreto, seja cuidadosamente conservado no Arquivo da Cúria Diocesana de Rio Preto e o quarto exemplar seja enviado à Cúria Metropolitana de Ribeirão Preto. Dado em Brasília, na Sede da Nunciatura Apostólica, no dia 8 de janeiro de 1997. Dom Alfio Rapisarda Núncio Apostólico"

(notícia publicada no Jornal A Gazeta do Rio Pardo do dia 19/04/97) 


 

Brasão de Dom Orani 

 

 

Voltar

Copyright ©1997-2009 by Abadia N.S.São Bernardo
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS