+ Edmilson Amador Caetano, O. Cist.

   

    Caríssimos irmãos,

    Bem-vindos à nossa home page.

    Gostaria de falar algo aos nossos visitantes, aos que admiram a nossa vida monástica e aos que estão interessados em fazer parte dela.

    A vida monástica cisterciense é estruturada e vivida sobre a Regra de São Bento. Podemos dizer que nosso Pai São Bento colocou esta vida sobre alguns tripés:

  1. o tripé do discernimento vocacional: ofício divino, observâncias, opróbios (os três "os");
  2. o tripé ascético-espiritual: obediência, silêncio e humildade;
  3. o tripé do compromisso do monge: estabilidade, conversão dos costumes (conversatio morum), obediência;
  4. o tripé da jornada monástica: oração, lectio divina e trabalho;
  5. o tripé da vida cenobítica: regra – abade – comunidade.

    O "tripé do discernimento vocacional" possui como primeiro elemento a solicitude para com o Ofício Divino. A Liturgia das Horas marca toda a jornada monástica. Ela é a santificação do tempo. O tempo "cronológico", torna-se tempo oportuno de graça através do louvor divino.

    A expressão de São Bento em RB 43, 3: "Ergo nihil opere Dei praeponatur" é semelhante a duas outras que estão na Regra . De fato, em RB 4, 21, encontramos nihil amor Cristi praeponere e em RB 72, 11 Christo omnino nihil praeponant. A absoluta dedicação a Cristo é comparável à dedicação ao Ofício Divino. Nada antepor ao Ofício Divino é equivalente a nada antepor a Cristo.

    Este tripé do discernimento vocacional, que é encabeçado pela máxima "si revera Deum quaerit" (se verdadeiramente, busca a Deus), tem no seu primeiro elemento como que uma resposta à dúvida que pode pairar sobre a vocação de alguém que busca o mosteiro. O Ofício Divino é lugar privilegiado da procura de Deus.

    A Celebração das horas é um lugar privilegiado da onipresença de Deus (cf RB 19,2). Não se trata de uma presença "passiva". Impossível pensar em presença passiva de Deus. Trata – se de uma presença Salvadora. De fato o código litúrgico da RB(8-20) evidencia uma espiritualidade pascal. O Ofício das vigílias (noturno), antes da aurora nos recorda a vigília Pascal ("Uma noite em honra do enquanto espere as laudes matutinas que celebram a ressurreição. Claro! Quem ressuscitou com Cristo não volta a dormir! Sob este aspecto pascal é que também devemos ver a solenidade maior que é colocada nas vigílias do Domingo, dia Senhor), de modo que São Bento não quer que o monge após esta Celebração vá dormir, mas ocupe-se com algo, do Senhor , dia da Ressurreição do Cristo e Também nas solenidades dos Santos, nos quais o Cristo ressuscitado.

    O Espirito pascal do Opus Dei encontra-se também na divisão do ano litúrgico de Beneditino de 1 de novembro – Páscoa – 1 de Novembro (cf. RB 8), Páscoa – 1 novembro- Páscoa (cf. RB 10) e Páscoa – 14 de Setembro para a divisão do trabalho e leitura Espiritual (cf. RB 48). Até mesmo o número de horas que devem ser celebrados é Páscoa; oito, sete oficio durante o dia e um a noite, fazendo, assim, eco ao oitavo dia inaugurado por Cristo com a sua ressurreição.

    A vida do monge deveria ser uma contínua observância quaresmal (cf. RB 49), mas também em virtude da expectação pascal, pois na quaresma deve o monge "na alegria do desejo espiritual esperar a Santa Páscoa". Podemos assim dizer que a celebração do Opus Dei coloca o monge sempre na perspectiva pascal, que realiza plenamente a esperança Cristã.

    Caríssimos visitantes, vamos terminando por aqui esta nossa reflexão. Espero - em breve - continuar falando com vocês das riquezas da vida monástica.

    Saudações em Cristo!

                

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