Vocacionados
Você já pensou alguma vez em ser
monge? Ou conhece alguém que
tenha tal intenção?
Colocamos
aqui algumas observações que sempre são ocasião de perguntas de
vocacionados.
Ser
monge - como no
tempo de São Bento (480-547), é ser um cristão que busca a Deus
verdadeiramente. É alguém que, vivendo em uma comunidade concreta,
procura viver só em Deus, com o coração unificado. Segue como regra
principal o Evangelho vivido na espiritualidade da vida de São Bento
conforme a Tradição Cisterciense. Os valores centrais são a oração, a
leitura espiritual (chamada Lectio Divina) e o trabalho. Daí o conhecido
refrão "Ora et Labora".
Deus chama
a todos para serem santos. É a vocação universal à santidade. Para ser
santo não é preciso que todos sejam monges, pois se pode viver esta
vocação universal à santidade sendo um bom pai de família, um leigo
engajado, um bom sacerdote diocesano, um bom religioso.
A Igreja é
mãe e mestra. Quando Deus chama alguém para a Vida Consagrada ela vai
ajudando a pessoa adiscernir a vocação e confirmando esta caminhada. É
preciso que a própria pessoa dê seus passos na sincera busca de Deus, no
amor à oração, à obediência e aos opróbrios (humilhações). São
estes os critérios que São Bento espera dos candidatos.
O
itinerário vocacional em nossa Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo,
em São José do Rio Pardo, é o seguinte:O candidato passa um tempo como vocacionado.
Neste período ele escreve, telefona, visita o Mosteiro para melhor
purificar sua motivação inicial. Nosso interesse não é direcionar a
pessoa para que entre em nossa casa. É, antes, oferecer um espaço, um
clima para que ele mesmo dê a sua resposta. Nossa função neste tempo é
ajudar a própria pessoa a dar o passo, quando, como e onde.
Uma coisa
é certa. No mosteiro ou fora dele a pessoa descobrirá que é chamada a
ser santa, o que não significa ser impecável e perfeccionista. Os santos
sempre estavam cientes de suas fraquezas e pecados depositando toda a
confiança no Senhor. Uma vez passado o tempo de vocacionado, e tendo a
pessoa decidido entrar de espontânea e livre vontade, seu pedido pode ser
acolhido por Dom Abade Edmilson. Com isso começa o tempo do
postulantado que em nosso mosteiro é de um ano. Neste período o
irmão começa a dar os primeiros passos na formação monástica.
São-lhe
dados a conhecer os costumes da casa e os rudimentos da espiritualidade
cisterciense. O postulante vai conhecendo a comunidade e esta vai
discernindo nele os indícios de autêntica vocação monástica. Todo o
romantismo inicial (pois talvez tenha entrado por causa do hábito, canto
gregoriano, arquitetura, amizades) vai cedendo lugar para motivações
mais profundas e consistentes (o "habitar consigo mesmo", o
descobrir dentro de si a presença do Eterno que o ama não obstante as
contingências do tempo e do lugar). Enfim, vai aprendendo a amar a Regra,
o abade, os irmãos e o lugar. O postulante fica sobre a responsabilidade
de um mestre que lhe vai ajudando no progresso espiritual. Durante o
postulantado o irmão não usa nenhuma veste especial.
Depois vem
o tempo do noviciado. Recebe o hábito de noviço (túnica,
escapulário e faixa brancos) durante um rito interno na comunidade. É a
chamada vestição do noviço, o qual é entregue aos cuidados de um
irmão que em nome do Abade vai se encarregar da sua formação, ganhando
sua alma para Deus. Este encarregado se chama mestre dos noviços. O
noviço pode receber um novo nome, nome de um santo escolhido por ele
(geralmente ligado à vida monástica) e aprovado pelo Abade. Será seu
padroeiro e intercessor. Nesta etapa o noviço vai conhecendo mais de
perto a vida cisterciense. Estuda a Sagrada Escritura, os Documentos da
Igreja, a História Monástica, a Regra de São Bento, a Espiritualidade
Monástica, a Liturgia da Santa Missa e da Liturgia das Horas, as
Constituições da Ordem e da Congregação; tem aulas de Formação
Humana e pode ter de música. Em nossa Congregação o noviciado é de um
ano. Durante o postulantado e o noviciado o irmão não estuda fora do
mosteiro. Só depois é que a pessoa poderá continuar seus estudos. No
final do noviciado o noviço apresenta seu pedido para a emissão dos
votos temporários, para fazer sua Profissão Simples.
No
tempo da Profissão Simples ( Profissão Temporária), que dura
três anos, o professo usa o hábito branco com escapulário preto, como
sinal de sua consagração e capa litúrgica branca. Neste rito de
profissão promete três coisas conforme a Regra de São Bento (capítulo
58): sua estabilidade na comunidade até a morte, a conversão de seus
costumes e a obediência ao seu superior, o qual faz as vezes de Cristo no
mosteiro. Após um ano de profissão retoma seus estudos caso estava
estudando antes do postulantado. Mas a sua formação monástica não
acabou com o noviciado. Participa de algumas conferências programadas
para eles pelo mestre dos professos. Convém dizer que toda a comunidade
é formadora e ao mesmo tempo está em contínuo processo de formação na
Escola do Serviço do Senhor. No final dos três anos o irmão pede para
emitir sua profissão solene na comunidade.
A Profissão
Solene é o sinal da maturidade monástica, quando o irmão passa a
ser realmente monge. O monge professo solene usa a cogula como veste
litúrgica branca. O mais importante no mosteiro é ser monge e não o ser
padre. Mesmo o padre, e mais ainda ele, tem que ter a vida comunitária
como razão de sua consagração e fonte de fecundidade de seu ministério
pastoral. Nem todos no nosso mosteiro são ou serão padres. O tempo vai
mostrando a vontade de Deus pelo discernimento do Abade e real necessidade
da comunidade. Ainda que só no mosteiro, o monge vive no coração da
Igreja, oferecendo um nobre e humilde serviço, na oração e no trabalho,
sentindo com a Igreja. O maior e mais belo púlpito do monge é o coro,
lugar da Igreja Abacial onde passa grande parte do dia durante as
orações.

Pense nisto:
1 . ONDE você
está agora, existencialmente? Conte, descreva a situação de sua vida.
‘O que’ e ‘Onde’ você está buscando o sentido de sua vida? Qual
a motivação profunda que o move a ler estas explicações? Qual é a
imagem que você tem de Deus, da Igreja, do mundo e de si mesmo? Deus o
vê e o ama.
2 . DE ONDE
você vem? Conte,
descreva a história de sua vida passada detalhadamente pois Deus ama
você do jeito que é, conhece-o muito mais que você mesmo e está lhe
oferecendo uma oportunidade, talvez única, de você também se conhecer.
Oportunidade de conhecer a mão de Deus que lhe conduz, vendo que a sua
história, por mais tumultuada que tenha sido é uma história de
salvação. Deus faz a cada dia uma história por você, com você e em
você. Mesmo quando você foi infiel, Deus permaneceu fiel. Permitiu
tantos acontecimentos na sua vida, na sua família, no seu ambiente de
convívio, tudo para que você desse seu ‘sim’. Ainda que tenha dado
tantas vezes um ‘não’, Ele lhe procura com amor eterno. Todos estes
acontecimentos do seu passado poderão ser vistos sem medo algum à luz da
fé. Nela serão superados. À medida que você deixar Deus agir, amparado
pela oração da Igreja que se faz presente agora a você, esta Igreja que
acontece nesta Abadia, você verá que irmãos pecadores como você foram
chamados à conversão. Você também poderá experimentar a mão de Deus
que educa, corrige, modela, reconstrói e lhe enviará a uma missão.
3 . PARA
ONDE você vai?
Viemos do Senhor e vamos a Ele. Um tema caro à literatura monástica é o
da "saudade do paraíso". Conte qual a vontade de Deus na sua
vida. Você está disponível a ser ajudado pela comunidade monástica a
discernir melhor sua vocação e missão na Igreja e no mundo? Não nos
cabe dizer se você tem ou não esta ou aquela vocação. Nossa missão é
ajudar as pessoas e encaminharmos sua decisão na vocação universal à
santidade. Nem todos são chamados a ser monges. Se Deus o chama Ele quer
que você dê seus passos. Para onde ir? Só Ele tem palavras de vida
eterna.